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IMPERMANÊNCIA: A LIÇÃO DAS TRAGÉDIAS

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O ano de 2019 começou cheio de tristezas. Em janeiro, relembramos a tragédia da Boate Kiss e acompanhamos o rompimento da barragem de Brumadinho. Em fevereiro, teve o incêndio no alojamento do Flamengo e a queda do helicóptero em que estava o jornalista Ricardo Boechat e seu piloto. Agora em março, tivemos o massacre na escola em Suzano e, também, revivemos a morte do menino Bernardo. Além de todas essas tragédias, muitas outras ocorrem diariamente as quais não ganham tanta repercussão, mas ainda assim afetam milhares de pessoas.

A cada um desses acontecimentos eu pensava e reforçava a importância do conceito da impermanência: a vida é imprevisível e nada é permanente, inclusive nós. Sabe aquela frase que muito se diz de que a única certeza que temos nesta vida é a morte? Pois é. Nós iremos morrer, quer você goste ou não. Quer você aceite ou não. Quer você fale sobre isso ou não. Todo dia alguém morre, e chegará a nossa vez. Só não sabemos como, quando ou onde. E que bom que não sabemos! Não podemos escolher. Não temos controle. O que temos, ou pelo menos devemos ter, é cuidado, atenção e precaução.

O que nos resta, então? Primeiro, aceitar que somos impermanentes. Aceitar que as pessoas que convivem conosco também são (e essa é a parte mais difícil). Aceitar que tudo na vida é impermanente. Amigos afastam-se com o tempo. Relacionamentos amorosos deixam de fazer sentido ou então uma das pessoas se vai antes da outra. Coisas materiais estragam, quebram, são roubadas, deixam de ter utilidade. Sentimentos, sejam eles bons, como a alegria, ou ruins, como a tristeza, também passam. Tudo, absolutamente tudo, é impermanente.

O segundo passo é entender que, sendo tudo impermanente, não há tempo para a procrastinação de viver. De viver da melhor maneira possível. De viver mais feliz. De viver junto às pessoas que nos fazem bem. De viver fazendo coisas que nos preenchem. É sobre aquela história de viver cada momento como se fosse o último. Isso é entender e viver o conceito de impermanência. E, aceitar a impermanência não significa não pensar no amanhã, não fazer planos, ou não medir as consequências de nossas atitudes. É simplesmente não deixarmos nada para depois e aproveitar a jornada, pois nunca teremos a certeza se realmente chegaremos até o destino que traçamos.

Mas atenção! Não encare a impermanência como algo deprimente. Não é este o objetivo deste pequeno texto, apesar de eu ter iniciado falando em tragédias e mortes. Apenas desejo que você reflita sobre como o conceito de impermanência pode mudar a maneira de você ver tudo ao seu redor, e principalmente a maneira como você vê a si mesmo. Aprenda com as tristezas e celebre com as alegrias. Afinal, quando entendemos que, na verdade, não é mais um dia, e sim, menos um dia, a gente passa a viver diferente.